Economia

Governo contrata supercomputador de IA de R$ 1 bi em Macaíba (RN)

Equipamento integra pacote do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial estimado em pouco mais de R$ 2,2 bilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira, 20, no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), a contratação de um supercomputador dedicado à inteligência artificial. O equipamento custará pouco mais de R$ 1 bilhão e integra um pacote do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) que o governo apresenta como investimento de pouco mais de R$ 2,2 bilhões, valor que parte da imprensa registrou como R$ 2,3 bilhões.

A compra será feita por edital competitivo. As propostas serão apresentadas em 8 de outubro. A execução ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O que o governo contratou

A máquina anunciada para Macaíba deve alcançar capacidade estimada de 7.200 petaflops, o equivalente a 7,2 quintilhões de operações por segundo. Se atingir esse patamar em operação, ficaria entre as dez maiores do mundo em processamento voltado à inteligência artificial, segundo o próprio governo.

O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, onde o equipamento será instalado, é ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A escolha do local tira o principal ativo de processamento de IA do país do eixo Rio-São Paulo, decisão que o governo apresenta como interiorização da infraestrutura de pesquisa.

O destino declarado da capacidade contratada é o desenvolvimento de modelos brasileiros de inteligência artificial e de projetos científicos considerados de interesse nacional. Quem terá prioridade de uso e por qual critério de fila é ponto que o edital ainda precisa fixar.

O pacote tem uma segunda frente. Uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro será conduzida pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek, com investimento estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos. O início da operação está previsto para julho de 2027. O governo cita transferência de tecnologia, projetos conjuntos de pesquisa e formação de profissionais como contrapartidas.

  • Supercomputador de Macaíba (RN): pouco mais de R$ 1 bilhão, edital com propostas em 8 de outubro, execução do LNCC
  • Capacidade estimada: 7.200 petaflops
  • Infraestrutura no Rio de Janeiro: R$ 1,276 bilhão em cinco anos, pela RNP com Huawei e iFlytek
  • Início previsto da operação no Rio: julho de 2027
  • Total do pacote: pouco mais de R$ 2,2 bilhões

O que ainda não está definido

O anúncio não detalhou a fonte orçamentária de cada parcela nem o cronograma de desembolso ano a ano. Também não há informação pública sobre o custo de operação do equipamento depois de instalado, item que em centros de supercomputação costuma pesar por causa do consumo de energia e da manutenção especializada.

A publicação especializada Capital Digital registrou que o modelo do edital deixa dúvidas sobre a possibilidade de parte do processamento ocorrer no exterior e sobre as exigências de eficiência energética e de suporte técnico local. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação não havia respondido publicamente a esses pontos até a publicação desta reportagem.

A justificativa oficial para o gasto é a soberania digital. O argumento do governo é que processar grandes volumes de dados em território nacional reduz a dependência de infraestrutura estrangeira em uma tecnologia considerada estratégica. A conta prática dessa escolha, em dinheiro público e em prazo, será conhecida quando o edital de 8 de outubro apontar preço final e condições de entrega.

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