Inadimplência das empresas chega a 9,3 milhões de CNPJs em agosto, novo recorde, diz Serasa
Dívidas negativadas somam R$ 244,4 bilhões; alta anual é de 14,3%, a menor do ano, mas ainda de dois dígitos
O número de empresas inadimplentes no Brasil chegou a 9,3 milhões de CNPJs em agosto de 2026, novo recorde da série do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, divulgado em 20 de outubro. É 14,3% a mais que em agosto de 2025. As dívidas negativadas somam R$ 244,4 bilhões, espalhadas por 68,2 milhões de registros.
A divulgação saiu na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o pacote de socorro aos microempreendedores, com perdão de dívidas, e em que a Fazenda anunciou o chamamento dos bancos para o Desenrola 3.0. O Poder360 informa que o pacote deve custar R$ 16,7 bilhões aos pagadores de impostos.
A série da Serasa mês a mês
Em fevereiro eram 8,8 milhões de empresas; em março, 8,9 milhões; em abril, 9 milhões. Os três últimos meses divulgados mostram a escalada:
| Mês de 2026 | Empresas inadimplentes | Dívidas negativadas |
|---|---|---|
| Junho | 9,1 milhões | R$ 232,9 bilhões |
| Julho | 9,2 milhões | R$ 238,6 bilhões |
| Agosto | 9,3 milhões | R$ 244,4 bilhões |
Em dois meses, o estoque de dívidas cresceu R$ 11,5 bilhões. Contra os R$ 213 bilhões com que as empresas encerraram 2025, a alta é de cerca de 15%.
O ritmo diminuiu. A variação anual caiu de 28,7% para 14,3%, mas continua com dois dígitos. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que os cortes na taxa básica ainda não bastaram para mudar a dinâmica das empresas. A Selic caiu de 15% para 13,75% ao ano desde o começo de 2026, segundo o Poder360.
Quem deve e a quem deve
As micro e pequenas empresas respondem por 8,8 milhões dos CNPJs negativados, com 61,4 milhões de dívidas que somam R$ 211 bilhões. A dívida média por CNPJ é de R$ 26.355,13, com 7,4 contas negativadas em média; no caso das micro e pequenas, R$ 23.902,98.
Por setor, serviços concentram 56% das inadimplentes, comércio 32%, indústria 8% e setor primário 0,9%. Na origem das dívidas, serviços aparecem com 31,7% dos registros, bancos e cartões com 19,7%, cooperativas com 8,5%, utilities com 6,7% e telefonia com 6,2%. São Paulo lidera, com 3,17 milhões de CNPJs, seguido por Minas Gerais (927,4 mil) e Rio de Janeiro (879,9 mil).
Abdelmalack aponta um dado sobre o uso do crédito: a demanda das empresas cresceu 11,2% em 12 meses, e as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%. Para ela, o dinheiro novo tem servido para sustentar a liquidez, e não necessariamente para quitar dívida ou ampliar o negócio.
A Serasa considera inadimplente a empresa com ao menos um compromisso vencido e formalmente comunicado pelo credor ao bureau, apurado até o último dia do mês. O levantamento completo está na sala de imprensa da Serasa Experian, e o número também foi publicado pelo Poder360.