Economia

Bancários rejeitam proposta final da Caixa e greve segue nesta segunda

Saúde Caixa é o impasse central; banco avalia levar o caso à Justiça do Trabalho por dissídio coletivo

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e mantiveram a greve nacional iniciada na quinta-feira, 10. A paralisação segue por tempo indeterminado nesta segunda-feira, 14, enquanto as entidades sindicais tentam retomar as negociações.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h de sexta-feira, 11. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. A proposta do banco previa mudanças no modelo de custeio e nas regras de coparticipação.

O que a Caixa ofereceu

Entre os principais pontos da proposta rejeitada estavam prêmio de R$ 3 mil por empregado e pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio.

O banco também ofereceu o aumento de 6,5% para 8% do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, a antecipação da parcela referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030, o pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027 e R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027. A proposta previa ainda a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento. A validade do texto terminava no dia 11.

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. Entre as regras propostas estavam contribuição dos empregados de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, e cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a idade.

  • Aumento do teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar;
  • Limite de 9% para o grupo familiar e piso de R$ 50 por beneficiário;
  • Cobrança de 13 mensalidades;
  • Aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto;
  • Isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina;
  • Recadastramento anual obrigatório.

A proposta também previa janela de 90 dias para adesão de titulares que hoje estão fora do plano. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao Saúde Caixa.

O caminho para a Justiça do Trabalho

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada. O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho estabelece as condições para solucionar o impasse.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

A paralisação começou depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado o texto anterior apresentado pela Caixa.

Em São Paulo, no Paraná e em outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis.

Em agosto, a categoria já havia parado por 24 horas após rejeitar a proposta da federação que representa os bancos, como o Resenhando registrou quando os bancários pararam depois de recusar o texto da Fenaban.

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