Produção de motos tem o melhor julho da história, diz Abraciclo
Polo Industrial de Manaus fabricou 190.794 unidades no mês; acumulado do ano é o maior desde 2008
As fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 190.794 motocicletas em julho, o maior volume já registrado para o mês na série histórica do setor. O dado consta do relatório mensal da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), divulgado em 11 de agosto.
O resultado é 36% superior ao de julho de 2025 e 45,8% maior que o de junho deste ano. No acumulado de janeiro a julho, a produção soma 1.254.191 unidades, alta de 9,9% sobre o mesmo período do ano passado e o melhor resultado do setor desde 2008.
Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, o desempenho de julho reforça a trajetória de crescimento do setor ao longo de 2026 e confirma a força da indústria de motocicletas, segundo a associação.
Vendas e exportação
O varejo acompanhou a linha de montagem. Foram 199.236 motocicletas emplacadas em julho, volume 3,1% maior que o do mesmo mês de 2025 e 2,6% superior ao de junho. É o melhor julho da história também nas vendas, e o mesmo vale para o acumulado dos sete primeiros meses, com 1.373.580 unidades licenciadas, alta de 12,3% na comparação anual.
As exportações somaram 3.289 unidades no mês, crescimento de 22,8% sobre julho do ano passado. O mercado externo segue como fatia pequena diante do consumo interno, que responde por praticamente todo o volume produzido em Manaus.
Os números ajudam a explicar por que a moto se consolidou como o veículo que mais cresce no país. O preço de entrada é uma fração do de um carro popular, o custo de manutenção é menor e o financiamento tem parcela compatível com a renda de quem usa o veículo como instrumento de trabalho, caso dos entregadores e dos motofretistas. O crescimento da produção acompanha essa demanda.
Bicicletas em ritmo diferente
O segmento de bicicletas do polo teve o melhor desempenho de 2026, com 37.413 unidades fabricadas em julho, alta de 16,6% sobre o mesmo mês do ano passado e de 22,8% na comparação com junho. O acumulado do ano, porém, continua no vermelho: 200.571 unidades, queda de 5,7% em relação a 2025.
A diferença entre os dois segmentos mostra que o desempenho da indústria de duas rodas em Manaus está ancorado na motocicleta, e não no ciclo de consumo que sustentou as bicicletas durante a pandemia.
O Polo Industrial de Manaus opera sob o regime da Zona Franca, com incentivos fiscais federais que são periodicamente questionados no debate sobre a reforma tributária e a renúncia de receita da União. O setor de duas rodas é um dos que mais empregam no parque fabril amazonense e costuma ser citado como exemplo pelos defensores da manutenção do modelo, tema que o Resenhando acompanha na cobertura sobre renúncia fiscal e compensação de receitas.
Os dados de produção e de emplacamento divulgados pela Abraciclo são compilados pela própria associação a partir dos números de suas associadas e do licenciamento de veículos, o que faz do relatório uma fonte do próprio setor, e não de órgão de estatística oficial.
Vale observar o descompasso entre os dois indicadores de julho. A produção subiu 36% na comparação anual, enquanto o emplacamento cresceu 3,1%. Uma diferença dessa ordem indica recomposição de estoque na rede de concessionárias, e não salto equivalente de consumo. O número que mede a demanda do comprador final é o de licenciamento, e ele vem crescendo em ritmo mais moderado, embora também em nível recorde para o período.
No acumulado do ano, os dois indicadores se aproximam: 9,9% de alta na produção e 12,3% no emplacamento. É esse par de números que sustenta a leitura de que a moto continua ganhando espaço no mercado brasileiro de veículos, movimento puxado por preço de entrada baixo, custo de manutenção reduzido e uso profissional em entrega e transporte urbano.