Helibras encerra a produção do helicóptero militar H225M no Brasil
Fábrica de Itajubá entregou o 47º exemplar e fecha o Projeto H-XBR, acordo de tecnologia com a França de 2008
A Helibras encerrou a produção do helicóptero militar H225M na fábrica de Itajubá, em Minas Gerais, com a conclusão do 47º exemplar destinado às Forças Armadas brasileiras. O fim da linha encerra o Projeto H-XBR, programa de transferência de tecnologia firmado com a França em 2008. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 19, pelo site especializado Aerojota, e antecipada em 14 de agosto pela publicação Tecnodefesa.
O contrato original, assinado em 23 de dezembro de 2008, previa 50 aeronaves. O número foi reduzido a 47 ao longo da execução, por mudanças pedidas pelas próprias Forças. A distribuição final ficou com 17 helicópteros para a Força Aérea Brasileira, 15 para o Exército e 15 para a Marinha, segundo o levantamento do Aerojota. O último aparelho, de matrícula 8544, vai para a FAB.
O H225M é a versão militar do Super Puma, empregada em transporte de tropa, busca e salvamento e apoio logístico. A aeronave participou de operações de resgate em desastres, entre elas o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, e as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024.
O H-XBR nasceu dentro do pacote de cooperação militar assinado por Brasil e França em dezembro de 2008, que abrigou também o programa de submarinos conduzido pela Marinha. A lógica declarada nos dois casos era a mesma: comprar equipamento com contrapartida de transferência de tecnologia e produção em solo brasileiro, em vez de importar pronto.
O programa H-XBR foi apresentado, na origem, como via de nacionalização de tecnologia aeronáutica de defesa. A Helibras, controlada pela Airbus Helicopters, montou em Itajubá a linha de produção, a integração de sistemas e a capacidade de reparo de conjuntos dinâmicos, item de maior complexidade técnica do helicóptero.
O que fica em Itajubá
Com o fim da produção, a fábrica mantém as atividades de manutenção, modernização, engenharia e suporte da família H225 e H225M, contratos que se estendem por toda a vida útil das aeronaves. O Exército optou por concluir sua parte do acordo com um contrato de manutenção.
O presidente da Helibras, Amaury Bastos, afirmou à Tecnodefesa que a estrutura instalada no país cresceu com o programa. "Desde essa transferência de tecnologia, nós expandimos a fábrica em 200%", disse. Segundo ele, "toda a parte de reparos de conjuntos dinâmicos é feita em Itajubá, com elevado grau de complexidade".
A aposta seguinte é o H145
A empresa negocia com o governo federal a produção nacional do H145, modelo menor e de uso mais versátil. Pelo desenho apresentado, a Helibras precisa de uma encomenda mínima de 50 unidades para viabilizar a linha, com investimento em torno de R$ 1 bilhão e capacidade para até 200 aeronaves em 15 anos. A fabricação de cablagens no Brasil está prevista para começar em 2027.
Sem um novo contrato de porte, a fábrica passa a depender de serviços de sustentação, atividade que emprega menos e agrega menos valor industrial do que a montagem final. O intervalo entre o fim de um programa e o início do seguinte é o ponto em que cadeias de fornecedores de defesa costumam perder engenheiros e capacidade instalada.
O Ministério da Defesa não publicou nota sobre o encerramento da produção até a manhã desta quinta-feira, 20. A Helibras se manifestou por meio do presidente da empresa nas entrevistas às publicações do setor.
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