Agronegócio

Trump zera tarifa de 300 mil toneladas de carne moída por 90 dias

Medida busca baixar o preço ao consumidor americano e abre janela para o Brasil, segundo maior fornecedor dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 21, que o país vai permitir a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem impostos pelos próximos 90 dias. A medida busca reduzir o preço pago pelo consumidor americano, e o Brasil aparece entre os fornecedores mais bem posicionados para ocupar a cota.

Segundo Trump, há compromisso de que a carne importada nesse regime seja vendida com desconto de 25% em relação aos preços atuais de mercado. O governo americano apresenta a decisão como forma de dar espaço à recomposição do rebanho bovino do país e, ao mesmo tempo, aliviar o custo da proteína no varejo.

Os Estados Unidos são hoje o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, com 12% do total embarcado no ano. A China lidera, com 44%.

A isenção vale por prazo e por volume determinados. Não é abertura permanente de mercado: passados os 90 dias, ou esgotada a cota de 300 mil toneladas, a tarifa volta a incidir.

O que a medida abre para o exportador brasileiro

O portal The AgriBiz calcula que a janela pode representar até US$ 500 milhões em vendas ao Brasil, a depender da velocidade com que os frigoríficos brasileiros consigam ocupar a cota diante dos demais fornecedores.

Carne moída é o item mais sensível a preço no varejo americano e aquele em que a competitividade brasileira costuma pesar mais. O recorte do anúncio, por isso, atinge diretamente a indústria exportadora instalada no Centro-Oeste.

O anúncio ocorre em meio à disputa comercial entre Washington e Brasília ao longo do ano, marcada por sobretaxas a produtos brasileiros e por revisões sucessivas das listas de exceção.

O que ainda não foi detalhado

O governo americano não informou o mecanismo operacional da cota, se haverá distribuição por país de origem nem a data exata em que começa a contagem dos 90 dias.

Sem essa regulamentação, o efeito prático sobre o embarque brasileiro depende dos atos a serem publicados pelas agências americanas de comércio e de inspeção sanitária. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação divulgada pelo governo brasileiro sobre o anúncio.

O rebanho bovino americano encolheu nos últimos anos, pressionado por seca e por custo de produção, e a oferta menor empurrou o preço da carne ao consumidor para patamares recordes. É esse quadro que a Casa Branca cita ao justificar a suspensão temporária da tarifa.

A solução anunciada é de curto prazo e atua sobre o preço final, não sobre a estrutura da cadeia produtiva. O prazo fechado de 90 dias limita o alcance da abertura e mantém em aberto o tratamento tarifário que valerá depois desse período.

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