Agronegócio

Flávio promete a maior regularização fundiária do Pará e fim de entraves ambientais

Em Marabá, Flávio Bolsonaro prometeu a maior regularização fundiária do Pará e fim de entraves ambientais, sem detalhar quais regras mudariam.

Neste texto3 tópicos
  1. O que não foi detalhado
  2. Segurança e política no estado
  3. A agenda de Lula no mesmo dia

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, prometeu nesta segunda-feira, 19, fazer "a maior regularização fundiária que o Pará já viu" e acabar com o que chamou de entraves ambientais ideológicos. A promessa foi feita durante motociata em Marabá, no sudeste do estado, a seis dias do segundo turno da eleição presidencial.

A Agência Brasil e a Revista Oeste registraram as mesmas falas. "Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu", disse o candidato, segundo a agência. "Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar."

O que não foi detalhado

Flávio não explicou como pretende executar a regularização nem indicou quais normas ambientais ou fundiárias pretende mudar. A Agência Brasil escreveu que ele "deu a entender a possibilidade de flexibilização de regras ambientais e fundiárias". A Oeste lembra que, no Pará, a regularização de propriedades passa por terras indígenas, unidades de conservação e áreas de conflito fundiário.

Até a publicação das duas reportagens, não havia resposta da campanha de Lula (PT) às declarações feitas em Marabá.

Segurança e política no estado

No mesmo evento, o candidato disse que o combate à criminalidade é prioridade e que, a partir de janeiro, pretende "pegar em guerra aos narcoterroristas". Prometeu ainda "devolver a soberania" sobre celular, bolsa, moto, carro e propriedade e disse que vai propor a castração química para estupradores. Também afirmou que a Amazônia precisa de obras estruturantes e citou a saúde como exemplo.

Flávio atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o petista poderia retaliar os paraenses pela derrota de seus aliados na eleição estadual. "O atual presidente da República tem uma coisa no DNA dele: além da mentira e da corrupção, tem a vingança", afirmou, segundo a Oeste. O candidato citou o governador eleito no primeiro turno contra os Barbalhos, e disse que Lula "vai se vingar contra o povo do Pará". A frase é opinião do candidato; a reportagem não cita evidência de plano de retaliação do governo federal.

A agenda de Lula no mesmo dia

Enquanto Flávio estava no Pará, Lula participou de marcha no Rio Grande do Sul e deu entrevista ao SBT na noite de segunda. O presidente disse que a aprovação no Congresso do projeto que perdoa as dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs) vai beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas de R$ 12,6 bilhões. O texto também eleva para R$ 140 mil o teto de faturamento anual e permite contratar mais de um empregado, hoje limitado a um, de acordo com a Agência Brasil.

Da cidade paraense, Flávio seguiu para Manaus, onde participou de ato com apoiadores. A votação do segundo turno é no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h. Nenhuma das duas reportagens traz detalhes sobre quais regras de propriedade rural ou licenciamento ambiental seriam alteradas.