Esporte no 2º turno: Flávio quer escola nas férias, Lula, Universidade do Esporte
Planos de governo de Flávio Bolsonaro e Lula tratam o esporte como política de educação, mas divergem em infraestrutura, financiamento e esporte feminino
O esporte aparece nos planos de governo dos dois candidatos ao segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas com propostas que quase não se cruzam, segundo levantamento da Agência Brasil divulgado nesta terça-feira, 20. Os dois ligam a área à educação. Divergem em infraestrutura, em financiamento e no tratamento dado ao esporte feminino.
O programa de Flávio trata o esporte como instrumento de formação. O texto defende abrir as escolas nos períodos de recesso, pelo programa Escola nas Férias, para não deixar a criança ociosa. O plano não detalha como as escolas adeririam nem quem tocaria as atividades. Para ampliar o alcance nas redes de ensino, a candidatura do PL aposta em parcerias público-privadas, com times escolares, treinos no contraturno e competições municipais e estaduais. O argumento é que o time da escola reduz evasão e repetência.
No alto rendimento, a proposta é mais curta: parceria com clubes, faculdades e universidades, patrocínio privado e editais para uso de ciência de dados por confederações e clubes. O programa também prevê o aperfeiçoamento das bolsas esportivas para atletas de ponta, em parceria com a iniciativa privada.
O que o plano de Lula prevê
A candidatura do PT apresenta o esporte como continuação do que foi feito no mandato 2023-2026. O plano cita o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), obras do Novo PAC, como centros esportivos em centenas de municípios, e a continuidade das unidades do Arena Brasil. Também inclui a Universidade do Esporte, que já foi aprovada na Câmara, como base de uma rede nacional de pesquisa e formação de técnicos e gestores.
O documento coloca esporte, cultura e economia criativa entre as áreas que o país deve tratar como estratégicas. Em outros trechos, sem falar só do esporte, defende a gestão direta de equipamentos em parceria com estados, municípios e organizações sociais, e restringe privatizações a obras de grande porte em energia e infraestrutura.
Esporte feminino e Bolsa Atleta
A diferença mais visível está no esporte feminino. A única menção do plano de Flávio ao tema é a exclusão de atletas transexuais das competições femininas. O texto não cita a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, a primeira da América do Sul, que será no Brasil. O plano de Lula destaca o torneio e prevê investimento para receber o evento em oito capitais, além de estímulo ao turismo esportivo.
O programa de Flávio também não menciona o Bolsa Atleta. Em 2026, o benefício foi reajustado e chegou ao maior número de atletas da sua história: 11 mil contemplados, do nível infantil ao olímpico, segundo a Agência Brasil.
O levantamento não traz posicionamento das campanhas sobre a comparação. Os programas de governo registrados pelos candidatos podem ser consultados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O segundo turno da eleição presidencial está marcado para o domingo, 25 de outubro.
Leia também: PEC do passe livre aos fins de semana usaria emendas parlamentares.