Política

Erika Hilton diz que PSOL errou na estratégia e admite deixar o partido em 2027, possivelmente para o PT

Deputada mais votada de 2026 critica federação, fundo partidário e financiamento de candidaturas

Neste texto4 tópicos
  1. Os erros que ela aponta no PSOL
  2. Possível troca de partido
  3. Críticas à campanha de Lula e leitura do segundo turno
  4. 6x1 e segurança pessoal

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), mulher mais votada entre os eleitos para a Câmara em 2026, afirmou que o próprio partido cometeu um "erro estratégico" na campanha e que o PSOL não superou a cláusula de barreira por causa dele. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira, 13, ela disse que "mudaria de partido se necessário fosse" e admitiu que uma ida ao PT em 2027 "pode acontecer".

Erika Hilton, de 33 anos, teve 1,5 milhão de votos e ficou em terceiro lugar no ranking geral de deputados federais. Em 2022 foi eleita pela primeira vez para a Câmara e, em 2020, havia sido a vereadora mais votada de São Paulo.

Os erros que ela aponta no PSOL

Pedida a listar os equívocos da legenda, a deputada citou quatro pontos:

  • a decisão de não federar o PSOL com o PT;
  • a forma como o fundo partidário foi redistribuído;
  • a falta de valorização de candidaturas com potencial de votação expressiva em São Paulo e em outros estados;
  • o baixo financiamento dessas candidaturas e de quadros que poderiam fortalecer o partido.

Hilton disse que o PSOL passou a bancar campanhas caras de baixo potencial eleitoral e deixou de cobrir nomes com chance real. Deu como exemplo a candidata a deputada estadual Sofia Favero, que, segundo ela, recebeu "um valor superbaixo". A deputada negou que tenha havido um racha na sigla: para ela, houve duas interpretações legítimas, e a dela, favorável à federação com o PT, perdeu.

Possível troca de partido

Perguntada se mudaria de legenda, Erika respondeu que sim, caso não consiga uma conversa tranquila com o PSOL sobre os próximos passos. Disse já ter sido procurada por alguns partidos e que conversou com o PT, mas que reservaria os detalhes. "Eu acho que pode acontecer em 2027", afirmou, ressalvando que ainda não iniciou conversa formal com o PSOL.

A entrevista publicada não traz resposta da direção do PSOL às críticas.

Críticas à campanha de Lula e leitura do segundo turno

Sobre a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, ela avaliou que "poderia ter explorado mais a imagem" dele e comunicado melhor os feitos do governo. Elogiou os vídeos em formato selfie e defendeu que as redes do presidente "denunciem mais" os riscos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No segundo turno, disse, há chance de corrigir o rumo.

Quanto ao Congresso, Hilton classificou o cenário como "ainda mais difícil" que o da legislatura passada. A entrevista cita levantamento da Folha segundo o qual 59% dos parlamentares da Câmara são de direita. A deputada chamou os eleitos de "extrema direita", termo que o próprio texto atribui a ela, e disse que o centro "dança conforme a música".

6x1 e segurança pessoal

Hilton lidera a discussão sobre o fim da escala 6x1. Ela afirmou ver "chances reais" de aprovar a proposta mesmo com a nova composição do Congresso, desde que a votação ocorra ainda antes do segundo turno. Citou a declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que manterá a votação marcada para a quarta-feira, 14, e disse que a pressão sobre os senadores continua.

A deputada também relatou ameaça de morte recebida por e-mail no dia do primeiro turno e disse viver "sob um regime de extrema proteção": escolta 24 horas, carro blindado e mudança de endereço no passado.

Na entrevista, ela ainda comparou o uso das redes por ela e por Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), os dois deputados federais com mais votos, e disse não ver nada em comum entre eles além do domínio digital. O Resenhando mostrou antes o desafio da deputada a Flávio Bolsonaro para debater a escala 6x1.

Fonte: entrevista de Ana Gabriela Oliveira Lima à Folha de S.Paulo (Folhapress), reproduzida pelo Jornal de Brasília em 13 de outubro de 2026.