Venezuela e oposição negociam levar aos EUA ouro guardado em Londres
Acordo em discussão transferiria 31 toneladas do Banco da Inglaterra para o Fed de Nova York e encerraria disputa judicial aberta em 2019
O governo da Venezuela e a oposição do país negociam um acordo para transferir as reservas de ouro do banco central venezuelano guardadas no Banco da Inglaterra para o Federal Reserve de Nova York. São 31 toneladas do metal, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões. A informação foi publicada pelo Financial Times nesta sexta-feira, 18, e replicada pelo Poder360.
Pelo desenho em discussão, o governo interino de Delcy Rodríguez passaria a ter a titularidade legal dos ativos, mas não a autorização para comercializar as barras de imediato. O ouro serviria como garantia para a captação de empréstimos internacionais destinados a despesas públicas, com foco na recuperação do país após o terremoto de junho.
Uma disputa de sete anos
O Banco da Inglaterra retém o ouro venezuelano desde 2019, quando passou a não reconhecer a legitimidade do então presidente Nicolás Maduro e, por consequência, a autoridade dos indicados por ele para o banco central. Desde então, governo e oposição disputaram nos tribunais britânicos quem tinha o direito de dar ordens sobre as reservas.
Se fechado, o acordo encerra essa batalha judicial iniciada em 2019.
O que ainda falta
O acordo está em vias de ser selado, mas aspectos técnicos seguem em andamento e o texto final não foi concluído, segundo interlocutores citados pela publicação britânica. A transferência para o Fed de Nova York também depende de aval das autoridades americanas, ponto que não foi detalhado na reportagem.
Por que a custódia mudaria de país
Reservas em ouro costumam ficar depositadas em bancos centrais de praças financeiras consolidadas, como Londres e Nova York, o que facilita operações de garantia e de empréstimo sem movimentação física do metal. A mudança de custódia, nesse caso, tem efeito político além do financeiro: o Fed passaria a ser o depositário de um ativo cuja titularidade era objeto de disputa entre dois governos rivais.
A negociação não havia sido confirmada publicamente pelas partes envolvidas até a publicação desta reportagem.