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Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares no Sahel

Relatório de cinco anos da UNCCD reconhece que menos de 90 dos 389 projetos monitorados reportam dados harmonizados

A iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde tem 1,66 milhão de hectares em processo de restauração no Sahel, faixa africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão, segundo relatório de cinco anos divulgado nesta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O documento foi noticiado no Brasil pela Agência Brasil no sábado, 8 de agosto.

O balanço, intitulado "Five Years Great Green Wall Accelerator Journey", também aponta 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas pelos projetos. A produção de energia limpa somou 2.315 megawatts-hora.

A Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD, com a proposta de conter o avanço da desertificação por meio de restauração de solo, plantio e projetos produtivos. A área de atuação cobre 156 milhões de hectares e vai do oeste do Senegal ao Chifre da África. São 11 países fundadores.

O que o próprio relatório reconhece

O documento registra uma limitação no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, mas menos de 90 apresentam hoje dados dentro dos indicadores harmonizados adotados pela própria iniciativa. Ou seja: menos de um quarto da carteira reporta números comparáveis.

Dos 11 países fundadores, 10 endossaram formalmente o Observatório e nove criaram coalizões nacionais. O relatório aponta ainda dificuldades de coordenação entre os atores envolvidos e o tempo necessário para que recursos anunciados se convertam em ação no território.

Esse ponto tem peso financeiro. Na Cúpula One Planet, em 2021, foram anunciados US$ 19 bilhões em compromissos para a iniciativa. O texto da UNCCD afirma que a distância entre compromisso financeiro e resultado concreto segue como desafio, sem detalhar quanto do valor prometido foi efetivamente desembolsado.

Meta para 2030

A iniciativa trabalha com a meta de 10 milhões de empregos até 2030, contra os 4,6 milhões contabilizados até agora. O prazo de 2030 também é o horizonte da meta original de restauração de terras degradadas na região.

O relatório observa que processos de restauração de solo levam anos ou décadas para produzir resultado completo, o que torna o número de hectares "em processo de restauração" diferente de área efetivamente recuperada. A distinção aparece no próprio documento.

  • 1,66 milhão de hectares em processo de restauração
  • 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas
  • 4,6 milhões de empregos criados, ante meta de 10 milhões até 2030
  • 46 milhões de pessoas diretamente impactadas
  • 389 projetos monitorados, menos de 90 com dados harmonizados
  • US$ 19 bilhões em compromissos anunciados em 2021

A UNCCD é o braço da ONU responsável pelo tema da desertificação e reúne os países signatários da convenção assinada em 1994. O Brasil é parte da convenção e tem no semiárido nordestino a área mais sujeita a processos de desertificação no território nacional.

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