Eleições 2026

Zema publica jingle com vídeo de IA que mostra Lula e ministros presos

Peça divulgada em 22 de agosto circula sob as regras de rotulagem de conteúdo sintético fixadas pelo TSE em março

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) publicou no sábado, 22 de agosto, em suas redes sociais, um jingle de campanha acompanhado de um vídeo produzido com inteligência artificial que retrata o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com uniforme de presidiário, dentro de uma cela. A peça circula em meio às regras que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou em março para o uso de conteúdo sintético na propaganda eleitoral.

A música é uma paródia de "O nome dela é Jennifer", de Gabriel Diniz, adaptada para "O nome dele é Zema". Um trecho da letra diz: "O nome dele é Zema, eu encontrei ele em Minas. Ele é meu presidente. Vai acabar com o PT".

O que mostra o vídeo

Segundo o Poder360, a animação apresenta figuras políticas como fantoches e mostra Lula ao lado dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em traje de presidiário, dançando em uma cela. A Gazeta do Povo, que também noticiou a divulgação, cita Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes na mesma cena.

A sequência final exibe Zema com a faixa presidencial e uma operação policial chegando a uma cadeia. O vídeo faz ainda referência à investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Não é a primeira peça do tipo produzida pela campanha. Em maio, Zema foi alvo de um processo por calúnia movido por Gilmar Mendes em razão de vídeos anteriores com formato semelhante.

O que diz a resolução do TSE

A Resolução 23.755, de 2 de março de 2026, alterou as regras de propaganda eleitoral e passou a exigir rotulagem de todo conteúdo produzido ou significativamente alterado por inteligência artificial. O texto determina que a informação sobre o uso da tecnologia seja explícita, destacada e acessível, e que indique qual tecnologia foi empregada. A ausência do rótulo configura irregularidade por si só, mesmo quando o conteúdo não é enganoso.

A forma da identificação varia conforme o suporte. Em áudio, a informação deve vir no início. Em imagem estática, exige rótulo e audiodescrição. Em vídeo, valem as duas regras combinadas. Em material impresso, a identificação deve constar de cada página.

A mesma resolução veda, em qualquer momento da campanha, o uso de deepfake, definido como conteúdo sintético que cria, substitui ou altera imagem ou voz de uma pessoa, viva ou morta, para prejudicar ou favorecer candidatura. Nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação, fica proibida a publicação, a republicação e o impulsionamento de conteúdo sintético que use imagem, voz ou manifestação de candidatos, ainda que rotulado.

As reportagens do Poder360 e da Gazeta do Povo descrevem a peça como animação feita com inteligência artificial, mas nenhuma das duas registra se o vídeo traz aviso visual de uso da tecnologia nos termos exigidos pela resolução. Também não há, nas duas publicações, manifestação do TSE, do Supremo Tribunal Federal ou da campanha de Lula sobre o material. A campanha de Zema não divulgou nota sobre a rotulagem.

Lula, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são retratados na peça sem que tenham autorizado o uso da própria imagem. A verificação sobre eventual irregularidade cabe à Justiça Eleitoral, provocada por representação de parte interessada ou pelo Ministério Público Eleitoral. As duas reportagens não mencionam representação apresentada contra o vídeo.

O calendário eleitoral prevê o primeiro turno em 4 de outubro. As regras de conteúdo sintético valem para todos os candidatos, em todos os cargos em disputa.

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