Meta restringe e depois restabelece anúncios de Lula a dez dias do 1º turno
Conta de anúncios no Facebook e Instagram ficou suspensa por 48 horas; motivo não foi explicado
A Meta restringiu, na quarta-feira, 23 de setembro, a conta de anúncios usada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Facebook e no Instagram, a dez dias do primeiro turno das eleições de outubro. A empresa suspendeu a conta "Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente" alegando apenas que "algumas das suas atividades não seguem nossas regras", sem detalhar qual norma teria sido violada, segundo reportagem do Metrópoles.
A coligação Brasil Pronto Pra Mais e o PT apresentaram recurso à empresa no dia seguinte, 24 de setembro, e pediram o restabelecimento da conta em até seis horas, com revisão humana da decisão. A campanha afirmou que a desativação prejudicava o candidato e beneficiava adversários políticos, e sinalizou que poderia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caso a conta não fosse restaurada no prazo.
O que a Meta respondeu
A conta foi normalizada já em 25 de setembro, segundo a própria campanha e confirmado pela Meta ao Metrópoles. Procurada pela Agência Brasil, a empresa não se manifestou sobre o motivo específico da restrição até o fechamento das reportagens consultadas. A big tech também não informou publicamente se a suspensão decorreu de uma política de checagem automática, de denúncia de terceiros ou de alguma peça publicitária específica da campanha.
Mesmo com a conta restabelecida dentro do período em que o impulsionamento eleitoral segue autorizado pela legislação, aliados de Lula usaram o episódio para reforçar a tese de que big techs americanas prejudicam o PT no ambiente digital, segundo a Agência Brasil. A Meta não respondeu a essa acusação.
Por que isso importa na reta final da campanha
Dez dias antes do primeiro turno é a fase em que campanhas presidenciais concentram o maior volume de impulsionamento pago nas redes sociais, para fixar número de urna e mensagem de fechamento. Uma suspensão de 48 horas na conta de anúncios de um candidato à Presidência, mesmo revertida, tira do ar naquele intervalo toda peça paga que dependia daquele cadastro, sem que o eleitor saiba se o corte partiu de decisão da plataforma, de denúncia de um concorrente ou de falha técnica.
O episódio ocorre no mesmo ano em que passou a valer a Resolução do TSE 23.755/2026, que endureceu as regras de impulsionamento de conteúdo político e exige rotulagem de peças feitas com inteligência artificial. A resolução trata da responsabilidade de partidos e candidatos sobre o conteúdo impulsionado, mas não regula diretamente o critério interno das plataformas para suspender contas de anúncio, zona cinzenta que o episódio da campanha de Lula expôs sem resposta pública da Meta até agora.
O TSE também vinha tratando de outros casos envolvendo conteúdo digital na reta final da campanha. Em setembro, o tribunal julgou a ação sobre zero rating e aplicativos de checagem de boatos, numa frente distinta, mas que também discute até onde vai a responsabilidade de empresas de tecnologia sobre o fluxo de informação eleitoral. O tribunal também já havia aplicado multa à própria coligação de Lula, de R$ 240 mil, por um vídeo sobre preço da carne considerado irregular pelo tribunal, episódio que mostra o TSE atuando em ambas as direções no mesmo mês.
A Meta é a mesma empresa que mantém a Biblioteca de Anúncios, ferramenta pública que lista o histórico de peças pagas por political advertisers no Facebook e no Instagram; a plataforma não divulgou, porém, um registro público do motivo da suspensão da conta de Lula nem dos critérios de moderação que levaram à decisão.
O caso também chega num momento em que o eleitorado brasileiro no exterior, que soma 918.876 inscritos segundo dados do próprio TSE, depende cada vez mais de redes sociais para acompanhar a campanha à distância, o que amplia o peso de qualquer instabilidade em contas oficiais de candidatos nas semanas finais do primeiro turno.