Lula aceita condições de Flávio para abrir sigilos e dá prazo até as 11h de quinta
Campanha petista diz que Lula topa tudo o que o PL pediu ao TSE; relator é André Mendonça
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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, trocaram nesta quarta-feira, 21, condições para abrir os próprios sigilos bancário e telefônico, e a campanha petista fixou 11h desta quinta-feira, 22, como prazo para a resposta final do adversário. A informação consta de duas notas da Agência Brasil. O segundo turno é no domingo, 25.
Flávio informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza o levantamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos. A autorização vem com condição: que Lula amplie o alcance da própria quebra. Pouco depois, o coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana, disse que o presidente aceitou tudo o que o rival pediu.
O que Flávio pediu em troca
Segundo a Agência Brasil, o candidato do PL quer que a quebra de sigilo de Lula inclua:
- os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente;
- os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula;
- a divulgação dos registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto.
A agência informa que há outras condições, sem detalhá-las. Na petição enviada ao TSE, Flávio chamou o pedido de Lula de "verdadeira aberração jurídica" e argumentou que o presidente poderia divulgar os próprios extratos sem acionar o tribunal.
As petições dos dois candidatos foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso. Não há, até a publicação desta nota, decisão dele sobre os pedidos.
A resposta da campanha de Lula
Camilo Santana afirmou que o presidente "não se opõe a absolutamente nada" do que Flávio propôs, desde que o adversário cumpra o mesmo e abra "tudo que está no pedido protocolado junto ao TSE". Ele disse que estará no tribunal às 11h de quinta para protocolar a resposta de Lula e deu o mesmo horário como limite para Flávio abrir seus dados e os de parentes.
"Não pode deixar pra depois da eleição. O prazo é amanhã", declarou o coordenador. Esse prazo é da campanha de Lula, não do TSE nem do relator.
A cronologia do desafio, segundo o Poder360 e a Agência Brasil:
- Domingo, 18: no debate entre os dois, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos;
- Segunda-feira, 19: Lula repetiu o desafio nas redes, deu uma semana ao adversário e disse que a quebra abrangeria os filhos;
- Terça-feira, 20: o presidente apresentou ao TSE requerimento autorizando a divulgação dos próprios dados;
- Quarta-feira, 21: Flávio respondeu com as condições e Camilo disse que Lula as aceitou.
Ao Poder360, na segunda, Flávio disse não ter nada a esconder, mas não confirmou que aceitaria nos termos de Lula. Ele citou suspeitas que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o Instituto Lula. No debate, segundo o Poder360, Lula citou um pedido de R$ 134 milhões ligado ao filme Dark Horse que seria atribuído a Flávio em negociações com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O que falta acontecer
A resposta de Lula será protocolada no TSE na quinta, às 11h. Se Flávio responderá no mesmo horário, e se Mendonça decidirá antes de domingo, ainda não foi informado. A campanha do candidato do PL não havia se manifestado sobre o prazo de Camilo Santana até a publicação desta nota.
Leia também a cobertura do pedido da campanha de Lula ao TSE para cassar a chapa de Flávio e a das pesquisa Quaest do segundo turno. As íntegras estão na Agência Brasil e no Poder360.