Lula desafia Flávio a abrir sigilos no debate da Band; Master e Lulinha dominam o confronto
Primeiro embate do segundo turno teve troca de acusações, propostas de segurança e saúde e números que ficaram sem checagem
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram pela primeira vez no segundo turno na noite deste domingo, 18, no debate da TV Band, em São Paulo. Segundo a cobertura da própria emissora, o encontro girou em torno de segurança, saúde, economia e dos casos Banco Master e Lulinha. O ponto de maior atrito foi o desafio de Lula: "Amanhã, abriremos nossas contas bancárias, sigilos telefônicos, para que o povo brasileiro descubra quem é o ladrão neste país".
Flávio respondeu que não tem nada a esconder e afirmou que o dinheiro de Lula "é por fora sempre", segundo a Folha de Curitiba. Lula propôs entregar os documentos de ambas as famílias ao presidente do Supremo e ao do TSE antes da votação de 25 de outubro. A proposta não teve resposta formal registrada nos relatos consultados.
Banco Master e Lulinha
Lula disse que Flávio "contou 43 mentiras" no caso do banqueiro Daniel Vorcaro e que perderá a imunidade parlamentar no dia 25. Atribuiu ao governo Bolsonaro a criação do banqueiro e disse ter mandado prendê-lo. Flávio respondeu que a prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, e não pelo presidente. Mendonça já havia defendido a imparcialidade na condução dos casos Master e INSS.
Flávio questionou Lula sobre a entrevista da empresária Roberta Luchsinger e sobre os gastos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no exterior. Lula afirmou que o filho abriu voluntariamente os sigilos bancário e telefônico e que o caso está com a Polícia Federal. "No meu mundo ninguém se esconde", disse, conforme a Band.
O que cada um disse nos outros temas
| Tema | Lula | Flávio |
|---|---|---|
| Segurança | Defendeu a saída temporária só para presos do semiaberto e cobrou a PEC de segurança enviada pelo governo em março do ano passado | Propôs tratar PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas, reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos e acabar com a "saidinha" |
| Saúde | Perguntou se o "SUS padrão Einstein" significa privatizar o sistema e voltou a criticar a gestão da pandemia | Anunciou Cláudio Lottenberg como convidado ao Ministério da Saúde, prontuário eletrônico único ligado ao CPF e fez "mea culpa" sobre o governo do pai |
| Economia | Citou R$ 725 bilhões na Nova Indústria Brasil e defendeu salário mínimo acima da inflação | Propôs um Ministério da Prosperidade e a renegociação de dívidas das famílias |
| Escala 6x1 | Sem fala registrada no debate; na sexta-feira, 16, celebrou o fim da jornada 6x1 em ato em Minas, segundo a Agência Brasil | Explicou o voto a favor do fim da escala, depois de ter dito ser contra: "ouviu o desejo do povo", segundo a Band |
Presos, vacina e o que ficou sem checagem
Flávio perguntou por que 73% dos presos votaram em Lula no primeiro turno. O presidente respondeu que queria "100%", inclusive o pai do senador. O percentual foi dito pelo candidato, e o Resenhando não localizou dado oficial que o confirme. Lula também afirmou que Flávio prometeu indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, e que não pode "dar indulto para uma pessoa só".
Sobre a pandemia, Lula criticou o uso de cloroquina e a falta de vacinas. Os relatos divergem quanto ao número citado: a Band registra "mais de 720 mil" mortes, a Folhapress, "mais de 700 mil" e a Folha de Curitiba, "mais de 600 mil". Flávio disse que o governo do pai "deu o seu melhor" e lembrou que, nos governos do PT, mais de 700 mil pessoas foram assassinadas no país. Nenhum dos dois números foi verificado em fonte oficial nesta matéria.
A íntegra do debate está no site e no canal da Band no YouTube. O segundo turno acontece em 25 de outubro.