Projeto retira gastos com infraestrutura escolar do teto de despesas
PLP 265/25 tira o Pnie do cálculo do resultado primário e altera a lei do arcabouço fiscal
Um projeto em análise na Câmara dos Deputados retira as despesas do Programa Nacional de Infraestrutura Escolar (Pnie) do limite de gastos da União. O PLP 265/25, apresentado pela comissão especial do Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034, altera a lei do arcabouço fiscal para que os recursos do programa não entrem no cálculo do resultado primário. A proposta foi noticiada em 30 de julho pela Agência Câmara.
Pelo texto, tanto as despesas do programa quanto suas fontes de financiamento ficam fora da apuração usada para verificar o cumprimento da meta fiscal fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O objetivo declarado é permitir obras de construção, reforma e ampliação de escolas sem que o gasto concorra com o teto anual.
O que diz o texto
A justificativa apresentada na comissão trata a exclusão como uma questão de neutralidade contábil. "Buscamos garantir a neutralidade do Pnie para fins de apuração do resultado primário da União", afirmou a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), então presidente do colegiado.
O mecanismo não é inédito. A Câmara já aprovou projeto que retira do limite do arcabouço despesas temporárias com saúde e educação custeadas por recursos do Fundo Social. Cada exclusão aprovada reduz a base de gastos submetida à regra criada em 2023 para substituir o teto constitucional.
O Pnie é o programa federal de investimento em prédios escolares, usado para construção, reforma e ampliação de unidades da educação básica. A vinculação ao PNE 2024-2034 aparece na origem da proposta: ela nasceu na comissão especial encarregada de discutir as metas do plano decenal, e não em iniciativa do Executivo.
Como fica a tramitação
O projeto será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Com a urgência aprovada, pode seguir direto ao Plenário. Para virar lei, precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
A votação, porém, esbarra no calendário. O Congresso retoma os trabalhos em 3 de agosto com 87 vetos presidenciais trancando a pauta e sessões concentradas em poucos dias do mês, por causa do período eleitoral. Matérias que alteram regra fiscal costumam ser deixadas para depois de outubro, quando os parlamentares voltam da campanha.
O Ministério da Fazenda não se manifestou publicamente sobre o projeto até esta sexta-feira (31).
O arcabouço fiscal, aprovado em 2023 no lugar do teto constitucional, limita o crescimento real da despesa a uma faixa entre 0,6% e 2,5% ao ano, calculada a partir da variação da receita. Toda despesa retirada desse cálculo deixa de disputar espaço dentro do limite, mas continua sendo paga com dinheiro público.
Segundo o Tesouro Nacional, o governo central fechou junho com déficit primário, resultado já pressionado por despesas obrigatórias. O projeto não estima quanto o Pnie representaria fora da conta, e a proposta em tramitação não traz valor anual previsto para o programa.
Leia também: Governo central fecha junho com déficit primário, informa o Tesouro.