Cultura

Sem museu de ciência, Brazlândia ganha um planetário sobre rodas

Projeto do GDF desmonta a estrutura e remonta em outra cidade a cada mês; em Brazlândia funciona até domingo, de graça, com robótica, realidade virtual e experimento no palco

Uma praça de Brazlândia, na ponta noroeste do Distrito Federal, virou esta semana sala de aula ao ar livre: cúpula de projeção do céu, bancada de robôs, consoles de videogame e um palco onde criança é chamada para tocar no experimento. O Ciência na Estrada fica na cidade até domingo (30) e não cobra ingresso.

O desenho do projeto inverte a lógica do museu. Em vez de esperar que o público se desloque até o equipamento cultural do centro, a estrutura é desmontada, carregada em caminhão e remontada na região administrativa da vez. A operação está a cargo da Secti-DF, com execução do Igepex.

Ciência sem auditório

O formato foge da palestra com slide. No palco do Einstein Jr., a apresentação puxa gente da plateia, dispara um anel de ar comprimido contra as primeiras fileiras e faz circular a areia que se levanta sozinha diante do ímã. O visitante vê o efeito primeiro e recebe a explicação depois, na ordem inversa da aula tradicional.

Em volta do palco funcionam quatro frentes:

  • a cúpula inflável com sessões de céu noturno;
  • a área de jogos digitais, com fila rotativa;
  • a bancada de robôs, para manusear e programar;
  • as estações de realidade virtual e os desafios em equipe.

Cada frente tem monitor acompanhando, e a maior parte das atividades foi montada para funcionar com adulto e criança lado a lado.

O roteiro anual prevê doze cidades. Cada parada dura cinco dias, tempo suficiente para receber turmas de escola durante a semana e o público de família no fim de semana, antes de a estrutura seguir viagem.

Por que a caravana anda

Brazlândia não tem museu de ciência. Nem centro de planetário, nem laboratório aberto ao público. A cidade está a mais de 40 quilômetros do eixo onde o Distrito Federal concentra seus equipamentos culturais, e essa distância é a razão declarada do formato itinerante.

A Secti-DF define a meta do programa como "democratizar o acesso ao conhecimento científico" nas cidades que ficam fora do Plano Piloto.

A lista de cidades já visitadas reúne Guará, Ceilândia, Vicente Pires, Estrutural, Samambaia, Cruzeiro, Santa Maria e Paranoá. Arapoanga recebe a estrutura no fim de setembro; Gama e Riacho Fundo entram na sequência, e a temporada termina em dezembro.

Quem quiser ir

O funcionamento vai até domingo, o que deixa três dias para quem ainda não foi. A entrada é liberada mediante retirada antecipada, num link que o projeto mantém fixado no Instagram, no perfil @ciencianaestradaoficial. A praça é aberta, então garrafa de água e protetor solar ajudam nas horas de sol forte.

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