Brasil

Governo apura se há organização por trás dos incêndios no Amazonas

Ministro Capobianco cita 120 termos circunstanciados e participação de PF, PRF e Abin; fumaça suspende aulas em Manaus

Neste texto5 tópicos
  1. O que o ministro disse sobre a origem do fogo
  2. Multas e punições previstas
  3. Fumaça suspende aulas em Manaus
  4. O que o governo mobilizou
  5. O que a nota não esclarece

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quarta-feira (14), em entrevista coletiva em Manaus, que o governo federal investiga se há uma organização por trás dos incêndios que atingem o Amazonas. A força-tarefa já abriu 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), segundo informou a Agência Brasil.

O que o ministro disse sobre a origem do fogo

Capobianco voltou a dizer que os focos têm origem humana. "Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso", declarou. Ele prometeu punição "exemplar" aos responsáveis, para que não fique na região "uma sensação de impunidade".

As apurações estão a cargo da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil do Amazonas, com apoio de outras forças. O ministro disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participa, para verificar se o episódio repete o que ficou conhecido como "Dia do Fogo". Segundo a Agência Brasil, ele citou ocorrências similares de 2024, com mais de 2 mil incêndios simultâneos em São Paulo e no Pará.

Multas e punições previstas

Quem provoca incêndio florestal está sujeito a multa administrativa de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, conforme o enquadramento. A lista inclui embargo das áreas atingidas, apreensão de equipamentos e responsabilização criminal, que pode resultar em prisão.

Fumaça suspende aulas em Manaus

As nuvens de fumaça levaram diversas cidades do estado a suspender atividades. Em Manaus, a qualidade do ar ruim levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

O ministro afirmou que há "redução nos eventos de queimadas e de incêndios" e um "indicativo de redução de novos focos", mas pediu cautela: "Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave". Sobre a fumaça na capital, disse que a expectativa é de melhora nos próximos dias, a depender dos ventos. Segundo ele, há uma convergência de ventos na região de Manaus e os incêndios mais distantes continuam a levar fumaça até a cidade.

O que o governo mobilizou

De acordo com o ministério, desde o início da temporada de incêndios florestais foram extintos 292 incêndios no Amazonas. A nota cita oito focos ainda ativos no estado. O reforço federal inclui:

  • 11 aeronaves, das quais seis atuam no combate direto, com lançamentos de água;
  • um avião KC-390, para lançar grandes volumes de água;
  • três helicópteros, para água e transporte de brigadistas e equipamentos;
  • uma aeronave Caravan, de apoio logístico;
  • 290 brigadistas em campo e outros 40 brigadistas federais a caminho.

No domingo (11), Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram o estado e viram fogo em áreas florestais de difícil acesso. O RES já publicou o embate de Waldez Góes com os bombeiros do Amazonas sobre a ajuda federal.

O que a nota não esclarece

A informação oficial não diz quem são os suspeitos, quantos dos 120 TCOs já têm autoria identificada nem se houve prisões. Também não apresenta indício concreto de que haja uma organização coordenando os focos: o ministro fala em "suspeita de ação organizada", que a investigação deve confirmar ou descartar. Até a publicação, a reportagem de origem não traz manifestação do governo do Amazonas sobre a linha de investigação.

O tema entrou na campanha do segundo turno. Os planos de governo dos dois candidatos à Presidência tratam de clima e desmatamento, como mostrou o comparativo publicado pelo Resenhando.

Fonte: Agência Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.