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Ministro rebate bombeiros do Amazonas: ajuda federal dependia do decreto de emergência do estado

União diz ter liberado R$ 34,7 milhões de R$ 45 milhões do ProAmazon; focos no estado subiram 271% em dez dias

Neste texto4 tópicos
  1. O que o governo federal diz ter mobilizado
  2. A conta do dinheiro federal
  3. Quanto fogo existe
  4. Efeito na capital

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou neste domingo (11), em Manaus, que o governo federal só pôde enviar ajuda direta ao Amazonas depois que o governo estadual decretou situação de emergência em 36 municípios, e que o reconhecimento da União saiu no mesmo dia. A fala rebate o comandante do Corpo de Bombeiros do estado, que havia dito em entrevista a uma emissora de televisão que Brasília estaria negando apoio.

Góes deu entrevista coletiva para detalhar a força-tarefa contra as queimadas. Segundo o ministro, a legislação exige que o estado formalize a emergência antes de a União atuar, e o reconhecimento sumário foi publicado no Diário Oficial da União. Ele também criticou a politização da crise e cobrou coordenação entre os órgãos. O governo do Amazonas é chefiado por Roberto Cidade; a Agência Brasil não registrou, nas matérias consultadas, resposta do governador à fala do ministro.

O que o governo federal diz ter mobilizado

De acordo com a pasta, a operação reúne ministérios, brigadistas, Forças Armadas e equipes de saúde, com 11 aeronaves. Entre elas estão dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, que chegaram a Manaus no domingo e passaram a operar nesta segunda (12). O Ibama enviou ainda quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros, e há 290 brigadistas federais em campo. O Ministério de Minas e Energia atua no abastecimento de combustível de comunidades isoladas, e a Força Nacional do SUS foi deslocada para os municípios em emergência.

Avião KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira em pista de pouso
KC-390 da FAB, modelo que passou a operar contra os incêndios no AmazonasFoto: Ronnie Macdonald/Wikimedia Commons (CC BY 2.0), arquivo

A conta do dinheiro federal

O Ministério da Integração informou que, desde 2024, disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas pelo projeto ProAmazon, para equipar o Corpo de Bombeiros. Segundo a pasta, R$ 34,7 milhões já foram liberados ao estado e cerca de R$ 10 milhões continuam disponíveis para uso. Os recursos se destinam a viaturas, equipamentos de segurança e bases operacionais. Nos últimos três anos, ainda conforme o ministério, o estado recebeu R$ 372.065.406,32 para socorro, assistência humanitária e reconstrução depois de desastres.

Os números reforçam o argumento federal, mas não respondem à crítica dos bombeiros sobre o ritmo da ajuda, e o governo estadual não apresentou, até a publicação das matérias da agência, a sua própria contabilidade do que foi liberado e do que foi gasto.

Quanto fogo existe

O Painel do Fogo, do Censipam, registrou 1.380 focos no Amazonas entre 1º e 10 de outubro, contra 372 no mesmo período de 2025, alta de 271%. Pela página Painel do Clima, do governo amazonense, são 6.901 focos de 1º a 11 de outubro, 91,38% acima do ano passado. Os dois levantamentos usam critérios distintos.

Sobre a origem, as versões divergem. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, avalia que os focos têm origem em ação humana intencional, porque não há fogo espontâneo na Amazônia, e levanta a hipótese de queima para abrir terreno a desmatamento futuro. O painel do Censipam enquadrou como ligados ao desmatamento 174 dos 1.380 focos do período e não apontou causa para o restante. A Agência Brasil descreve a onda de queimadas como ligada ao El Niño, e o governador Roberto Cidade disse que parte da fumaça vem de queimadas em outros estados.

Efeito na capital

Em Manaus, o material particulado fino chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico na manhã de sexta-feira (9), nível que a classificação citada pela agência considera péssimo. A prefeitura suspendeu aulas e eventos ao ar livre, e três instituições de ensino superior pararam as atividades presenciais. O boletim da Defesa Civil municipal previa possível pico de 169 microgramas na madrugada de segunda-feira.

A disputa entre os dois níveis de governo tende a continuar enquanto os focos não caírem. O ProAmazon é financiado pelo Fundo Amazônia, e o ministério diz que o saldo de cerca de R$ 10 milhões segue à disposição do estado.