Weverton pede que Senado apure vazamento de foto de celular apreendido
Senador do PDT enviou ofício a Davi Alcolumbre após a piauí publicar imagem em que aparece com parlamentares e advogado investigado na Sem Desconto
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que a Casa apure o vazamento de dados extraídos de seu celular, apreendido pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. O pedido foi encaminhado em ofício à Mesa Diretora no sábado, 8 de agosto.
A iniciativa veio depois de a revista piauí publicar, no mesmo dia, uma fotografia em que o parlamentar aparece em uma piscina ao lado de outros cinco congressistas e do advogado Willer Tomaz, apontado pelos investigadores como responsável por operar um hub logístico e financeiro no esquema apurado. A imagem foi registrada em encontro realizado em abril de 2023.
Além de Weverton, aparecem na foto o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, os deputados federais Elmar Nascimento, Alexandre Ramagem, Paulo Azi e Juscelino Filho.
No documento, o senador sustenta que a divulgação violou sua intimidade, o sigilo que recai sobre os autos e a presunção de inocência. Ele pede que a Advocacia do Senado seja acionada para levar a questão ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Corregedoria da Polícia Federal.
O que apura a Operação Sem Desconto
A Sem Desconto investiga descontos aplicados sem autorização em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração corre no Supremo por envolver parlamentares com foro por prerrogativa de função e já resultou em buscas autorizadas por Mendonça, inclusive em endereços ligados a familiares do senador.
Weverton foi alvo da operação e nega irregularidades. O material apreendido em telefones e computadores é submetido a perícia e permanece sob sigilo enquanto a investigação está em curso, condição que o senador invoca no ofício ao afirmar que o conteúdo não deveria ter chegado à imprensa.
A Presidência do Senado não havia divulgado resposta ao ofício até a publicação desta reportagem. A revista piauí não comentou publicamente o pedido do parlamentar, e a Polícia Federal não se manifestou sobre a origem do material.
A Operação Sem Desconto tornou-se um dos casos de maior repercussão política do ano no Congresso por alcançar parlamentares de partidos que integram a base de sustentação do governo e também da oposição. Os descontos investigados incidiam sobre benefícios pagos a aposentados e pensionistas, o que dá ao caso alcance direto sobre quem vive de renda previdenciária.
O advogado Willer Tomaz, que aparece na fotografia divulgada, teve mansão avaliada em R$ 6 milhões no Lago Sul alvo de medidas da investigação. Ele nega irregularidades. Os demais parlamentares citados na imagem não são acusados formalmente no inquérito por causa do registro fotográfico, que documenta um encontro social ocorrido antes do período apurado nas fases mais recentes da operação.
Como o pedido pode tramitar
Ofícios desse tipo são analisados pela Mesa Diretora, que pode acionar a Advocacia do Senado, encaminhar o caso à Corregedoria da Casa ou simplesmente arquivar o pedido. A decisão cabe ao presidente da Casa, que não tem prazo fixado para responder.
Caso a Advocacia seja acionada, o encaminhamento natural é uma petição ao relator no Supremo, que decide sobre eventual apuração do vazamento. A Corregedoria da PF, por sua vez, é a instância responsável por investigar suspeita de conduta irregular de servidores da corporação.
O episódio ocorre em ano eleitoral e envolve nomes com peso na articulação política das duas Casas. Lira presidiu a Câmara até fevereiro de 2025, e os demais parlamentares citados na imagem exercem mandato em curso.
Não há, até o momento, decisão judicial que trate especificamente da divulgação da fotografia.