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Juíza dá a Trump até 11 de dezembro para depor sob juramento no processo contra a BBC

Magistrada de Miami ameaça com sanções, até o arquivamento da ação de US$ 10 bilhões, se o presidente não comparecer

Neste texto3 tópicos
  1. O que diz a defesa de Trump
  2. Como começou o processo
  3. A intimação a Jack Smith

A juíza federal Enjolique Lett, de Miami, determinou nesta quinta-feira, 22, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preste depoimento sob juramento até 11 de dezembro no processo por difamação de US$ 10 bilhões (R$ 50,3 bilhões) que ele move contra a emissora britânica BBC. Se não depuser no prazo, Trump pode sofrer sanções que chegam ao arquivamento da própria ação, segundo a Associated Press.

A decisão veio em audiência convocada depois que os advogados da BBC reclamaram do adiamento. O depoimento estava marcado para 16 de outubro, e Trump o cancelou alegando "assunto de importância nacional". O advogado da emissora, Charles Tobin, disse à juíza que, naquele dia, o presidente fazia campanha na Geórgia. "Ele estava participando de atividades políticas partidárias e priorizou isso em vez do depoimento", afirmou.

O que diz a defesa de Trump

O advogado do presidente, Alejandro Brito, respondeu que "não é um depoimento comum" e que Trump "está envolvido em muitas coisas", conforme o Jornal de Brasília. Lett decidiu que só o juiz que preside o caso pode mexer no calendário, e a BBC disse aceitar uma data posterior se o cronograma do julgamento também for adiado.

A fase de troca de provas, chamada de discovery, termina em 18 de dezembro. O prazo de 11 de dezembro só deixa de valer se o juiz do caso estender essa fase. O julgamento está previsto para 2027.

Como começou o processo

Trump processou a BBC em dezembro de 2025 por difamação e práticas comerciais enganosas. A ação trata do documentário "Trump: A Second Chance", que reuniu trechos de partes diferentes do discurso que o presidente fez a apoiadores em 6 de janeiro de 2021, antes da invasão do Capitólio, de modo a sugerir que ele pedia diretamente violência.

A BBC reconhece que a edição foi enganosa e pediu desculpas. O principal executivo da emissora e o chefe do jornalismo renunciaram. A empresa, porém, nega que Trump tenha sofrido dano e quer que o processo seja arquivado. A BBC é financiada com recursos públicos do Reino Unido, o que a AP destaca ao descrever o caso.

A intimação a Jack Smith

No mesmo dia, a audiência tratou de outro ponto de atrito. Para sustentar sua defesa, a BBC intimou o ex-procurador especial Jack Smith, que investigou a atuação de Trump em 6 de janeiro. Os advogados do presidente alegam que Smith "não tem conhecimento pessoal" dos fatos, já que não estava no discurso nem participou de sua preparação, e que o testemunho seria repetitivo, porque ele publicou um relatório extenso e já depôs por horas.

A emissora rebate que dificilmente existe fonte mais qualificada sobre o tema do que quem reuniu provas por anos com o apoio do Departamento de Justiça. A AP não informou, até a publicação desta matéria, como a juíza decidiu sobre Smith.

O próximo passo é a decisão do juiz que preside o processo sobre uma eventual prorrogação da fase de provas. Sem ela, Trump terá de depor em Miami até 11 de dezembro. A reportagem completa da PBS News, com texto da AP, traz mais trechos da audiência.

No noticiário internacional, o Resenhando também acompanha a suspensão da Lei Graham de sanções à Rússia e o anúncio de exploração de petróleo na Groenlândia.