Estudante de 16 anos cria site para explicar cargos ao novo eleitor
Plataforma votae.org usa dados do TSE; faixa de 16 a 24 anos soma 19,2 milhões de eleitores
O estudante Maurício Melzer, de 16 anos, criou a plataforma votae.org para explicar a jovens que vão votar pela primeira vez o que faz cada cargo em disputa e como acompanhar candidatos. A iniciativa foi divulgada pela Agência Brasil nesta quinta-feira, 10.
Morador de São Paulo, Melzer diz que a ideia nasceu da própria dificuldade ao tirar o título de eleitor. "Eu não sabia o que um senador fazia, não sabia a importância do Congresso, de um deputado", afirmou. Ao conversar com colegas, percebeu que a confusão era comum.
A plataforma reúne informações sobre cargos, candidatos e campanhas a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e traduz a linguagem técnica do sistema político para quem está começando a votar.
O peso do eleitor de 16 a 24 anos
O público que a ferramenta busca atingir não é pequeno. Eleitores de 16 a 24 anos somam 19,2 milhões de pessoas, o equivalente a 12% do eleitorado brasileiro, segundo os dados citados na reportagem.
Esse eleitor enfrenta em outubro uma cédula longa. São quase 21 mil candidatos em disputa no país, e só em São Paulo cerca de 2.600. O eleitor escolhe presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais na mesma ida à urna.
O voto é facultativo aos 16 e 17 anos, faixa em que o título precisa ser solicitado por iniciativa do próprio jovem, e passa a ser obrigatório aos 18.
A posição da Justiça Eleitoral
O secretário de Comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Vitor Amaral, destacou na reportagem a importância do engajamento político dos mais jovens e da familiaridade dessa faixa etária com o ambiente digital.
Plataformas privadas de informação eleitoral não substituem os canais oficiais. O TSE mantém o DivulgaCandContas, sistema em que constam registro de candidatura, bens declarados, prestação de contas e situação jurídica de cada candidato, além do aplicativo e-Título e da consulta ao local de votação.
A reportagem não informa o número de acessos da plataforma nem se a iniciativa tem financiamento ou apoio institucional. Procurada por meio da mesma reportagem, a Justiça Eleitoral não apontou irregularidade no projeto.
A informação sobre o voto tem sido disputada também por outros canais nesta eleição. Em setembro, o TSE definiu regras específicas para quem produz conteúdo político pago: influenciador só pode fazer campanha de graça e sem impulsionamento.