Eleições 2026

PL lidera doações dos 100 maiores doadores; PT vem em segundo

Levantamento do Estadão/Broadcast aponta R$ 19,8 milhões ao partido de Flávio Bolsonaro; com repasses aos diretórios, o PSD passa à frente

Neste texto5 tópicos
  1. Como foi feito o levantamento?
  2. Quanto cada partido recebeu?
  3. Quais candidatos do PL receberam mais?
  4. E o dinheiro depois do primeiro turno?
  5. O que vem a seguir?

O PL foi o partido que mais recebeu doações diretas dos 100 maiores doadores pessoas físicas da eleição de 2026: R$ 19,8 milhões, segundo levantamento do Estadão/Broadcast publicado nesta quarta-feira, 14. O PT aparece em segundo, com R$ 13,7 milhões, e o PSD em terceiro, com R$ 12,4 milhões.

Como foi feito o levantamento?

O Estadão/Broadcast reuniu as planilhas dos 100 maiores doadores pessoas físicas do ranking do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultadas em 13 de outubro, e somou as contribuições por candidato e por partido. O recorte separa o dinheiro enviado às campanhas daquele destinado aos diretórios. Ele não considera toda a arrecadação das candidaturas nem os repasses de fundos públicos.

Dos 100 maiores doadores, 42 destinaram recursos direto a candidatos do PL. Pelo menos 30 deles têm atuação ou trajetória empresarial, em áreas como calçados, supermercados, agronegócio, construção, bancos e saúde.

Quanto cada partido recebeu?

  • PL: R$ 19,8 milhões em doações a candidatos, mais R$ 3,9 milhões aos diretórios, num total de R$ 23,7 milhões;
  • PT: R$ 13,7 milhões a candidatos;
  • PSD: R$ 12,4 milhões a candidatos e, somando os repasses partidários, R$ 34,8 milhões.

Ou seja, quando as transferências aos diretórios entram na conta, o PSD passa à frente do PL no levantamento. Até o primeiro turno, em 4 de outubro, os candidatos do PL haviam recebido R$ 18,3 milhões desse grupo. Na campanha do segundo turno, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro recebeu mais R$ 1,5 milhão. No total, ele soma R$ 3,5 milhões, o maior valor individual do partido no recorte.

Quais candidatos do PL receberam mais?

Entre os 62 candidatos do PL beneficiados, 30 foram eleitos. Os maiores valores do recorte foram para:

  • Flávio Bolsonaro (Presidência): R$ 3,5 milhões;
  • Luciano Zucco (governo do Rio Grande do Sul, eleito no primeiro turno): R$ 3 milhões;
  • Bruno Scheid (Senado por Rondônia, eleito): R$ 2,445 milhões;
  • Flávio Roscoe (governo de Minas Gerais, não eleito): R$ 2,1 milhões;
  • Vinicius Diniz (deputado federal por Minas, eleito): R$ 1,5 milhão.

O PL saiu do primeiro turno com a maior bancada da Câmara, 121 deputados federais, e 28 senadores a partir de 2027. Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Jornal de Brasília, que reproduziu o levantamento.

E o dinheiro depois do primeiro turno?

Uma apuração da Folha de S.Paulo, também reproduzida pelo Jornal de Brasília, mediu só o período posterior a 4 de outubro: empresários de finanças, combustíveis e mineração doaram R$ 2,3 milhões ao PL. No mesmo intervalo, o PT declarou R$ 85 mil, de representantes do setor sucroalcooleiro, o equivalente a 3,7% do valor do PL.

A Folha observa que grandes doadores têm preferido contribuir com os partidos, e não com o candidato. Assim, o dinheiro não aparece diretamente na prestação de contas de quem disputa e entra em um sistema separado. Entre os doadores citados estão sócios da gestora Perfin (R$ 500 mil cada) e o dono do Grupo Potencial, R$ 600 mil.

O Banco Mercantil, cujos diretores doaram R$ 100 mil cada, disse em nota que a contribuição foi feita pelos sócios em caráter pessoal e que não envolveu recursos da companhia. A Perfin e o Grupo Potencial afirmaram que não comentariam as decisões de seus acionistas.

O que vem a seguir?

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e os números mudam a cada novo registro de doação. A fonte primária é o ranking de doadores do TSE. Como o portal do tribunal não abriu a partir desta redação, os valores acima são atribuídos aos levantamentos do Estadão/Broadcast e da Folha. Para acompanhar a disputa, veja a pesquisa PoderData/AYA do segundo turno e o comparativo de pesquisas entre Flávio e Lula.