438 dos 513 deputados federais tentam a reeleição em 2026
Levantamento do Diap com base nos registros no TSE mostra PL com 77 candidatos à recondução, PT com 57 e União Brasil com 49
438 dos 513 deputados federais em exercício registraram candidatura à reeleição para a Câmara nas eleições de 4 de outubro, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) com base nos registros apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prazo para o envio dos pedidos terminou às 19h de 15 de agosto.
Pela conta do levantamento, 75 deputados da atual legislatura não disputam a recondução ao cargo. O grupo reúne parlamentares que buscam outros mandatos, como Senado e governos estaduais, e os que deixam a vida pública ao fim da legislatura.
Como se distribuem por partido
O PL é a legenda com o maior número de deputados candidatos à reeleição, com 77 nomes. O PT aparece em seguida, com 57, e o União Brasil tem 49 candidatos que já ocupam cadeira na Câmara.
A concentração acompanha o tamanho das bancadas eleitas em 2022 e os movimentos de janela partidária ocorridos desde então. Os números do Diap consideram os registros protocolados no TSE, que ainda passam por análise da Justiça Eleitoral antes de serem deferidos.
Somados, PL, PT e União Brasil respondem por 183 dos 438 deputados que buscam novo mandato, pouco mais de 40% do grupo. O restante se distribui entre as demais legendas e federações com representação na Câmara.
O Diap é um departamento intersindical que acompanha a atividade parlamentar desde os anos 1980 e publica levantamentos periódicos sobre composição da Câmara e do Senado. O número divulgado agora tem como base os registros apresentados até o encerramento do prazo legal.
O que vem depois do registro
Registrar a candidatura não garante a disputa. Cada pedido é examinado pela Justiça Eleitoral, que pode indeferir o registro por questões como inelegibilidade, prestação de contas de campanhas anteriores ou pendências documentais. O Ministério Público Eleitoral também pode impugnar candidaturas.
A renovação da Câmara é medida apenas depois da apuração. Em eleições anteriores, parte expressiva dos deputados que tentaram permanecer no cargo não voltou, o que torna o número de candidatos à reeleição um indicador de intenção, e não de resultado.
No Senado, onde a disputa deste ano alcança dois terços das cadeiras, o quadro segue lógica parecida. Levantamento anterior mostrou que 13 senadores não disputam a eleição e deixam a Casa em 2027, enquanto 32 senadores tentam a reeleição.
O calendário até a votação
A eleição de deputado federal usa o sistema proporcional, em que o número de cadeiras de cada estado é distribuído conforme a votação obtida pelos partidos e federações, respeitado o quociente eleitoral. O modelo faz com que a votação individual do candidato só se converta em mandato depois de passar pelo desempenho da legenda, o que explica por que parlamentares com votação alta em uma eleição podem ficar de fora na seguinte.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa no fim de agosto, e a votação está marcada para 4 de outubro. Nos estados em que houver segundo turno para governo, a data é 25 de outubro, sem efeito sobre a disputa proporcional, decidida em turno único.
Os dados completos de candidaturas, incluindo bens declarados, prestação de contas e situação do registro, estão disponíveis no sistema DivulgaCand, do TSE, com atualização conforme a Justiça Eleitoral julga os pedidos.