Michelle Bolsonaro e Bia Kicis sao eleitas senadoras pelo Distrito Federal
Dupla do PL leva as duas vagas em disputa no DF e o estado passa a ter a primeira bancada 100% feminina do Senado
Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) foram eleitas senadoras pelo Distrito Federal no primeiro turno das eleições deste domingo, 4 de outubro, segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a vitória das duas, o Distrito Federal se torna a primeira unidade da federação da história a ter as três vagas do Senado ocupadas por mulheres.
Michelle terminou a apuração em primeiro lugar, com 938.496 votos, o equivalente a cerca de 29% dos votos válidos. Bia Kicis ficou em segundo, com 886.616 votos, por volta de 27,4%. As duas concorreram pelo Partido Liberal (PL) em campanha conjunta, com material de divulgação e agenda de rua compartilhados.
Em terceiro lugar ficou a ex-senadora Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei (PDT), que buscava a reeleição depois de um mandato iniciado em 2018. Ela somou 686.340 votos, 21,25% dos válidos, e não renovou a vaga. Medalhista de bronze olímpico pelo vôlei em Atlanta 1996 e Sydney 2000, Leila deixa o Senado em fevereiro de 2027. A diferença entre Bia Kicis, na segunda vaga, e Leila Barros, fora dela, foi de 200.276 votos, margem que deixou a disputa pela segunda cadeira decidida sem necessidade de recontagem.
Por que a bancada fica toda feminina
A eleição deste ano renovou duas das três cadeiras do Distrito Federal no Senado. A terceira, não disputada neste pleito, é ocupada pela senadora Damares Alves (Republicanos), que segue em mandato. Com a chegada de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as três vagas do DF no Senado passam a ser ocupadas por mulheres a partir de fevereiro de 2027, um fato inédito entre as 27 unidades da federação.
O Senado brasileiro teve sua primeira senadora, Eunice Michiles, eleita somente em 1979, mais de 150 anos depois da criação da Casa. Em mais de dois séculos de história, segundo levantamento da própria instituição, apenas 78 mulheres ocuparam uma cadeira no Senado.
Quem são as eleitas
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, concorreu pela primeira vez como candidata própria depois de anos em papel de apoio institucional e de campanha ao marido. Ela tratou a candidatura como uma orientação recebida diretamente de Bolsonaro e fez da pauta de direitos das pessoas com deficiência e de causas ligadas às mulheres os eixos centrais do discurso, ao lado de bandeiras tradicionais da legenda.
Bia Kicis está em seu segundo mandato como deputada federal e preside o PL no Distrito Federal. Advogada de formação, construiu a candidatura em torno de segurança pública e da pauta de costumes, incluindo a defesa do projeto "Escola Sem Partido", tema que já era carro-chefe de sua atuação na Câmara dos Deputados.
Com a dobradinha, o PL passa a controlar duas das três vagas do Distrito Federal no Senado. O mandato das duas eleitas é de oito anos, com posse prevista para fevereiro de 2027, junto da instalação da nova legislatura do Congresso Nacional.
A dobradinha do Distrito Federal integra um resultado nacional melhor para o PL do que o partido previa. Segundo a Rádio Senado, órgão oficial do Senado Federal, a legenda elegeu 19 senadores neste domingo e passa a ter 28 ao todo a partir de 2027, somando os que já cumprem mandato até 2030. É a maior bancada de um partido na Casa desde a redemocratização. Além do Distrito Federal, o PL elegeu os dois senadores em disputa em outros quatro estados: Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
Procurados, os comitês de campanha de Michelle Bolsonaro e de Bia Kicis não emitiram nota distinta da divulgada no dia da eleição, em que agradeceram o resultado e atribuíram a vitória à base eleitoral formada ao longo da campanha conjunta pelo Distrito Federal.