Idosos com mais de 70 anos voltam às urnas: abstenção cai de 58,8% para 49,1%
Levantamento do Movimento Voto 70+ com dados do TSE mostra queda de 9,7 pontos; voto no 2º turno também serve de prova de vida no INSS
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Metade dos brasileiros com mais de 70 anos foi às urnas no primeiro turno de 2026. A abstenção nessa faixa, em que o voto é facultativo, caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% neste ano, uma queda de 9,7 pontos percentuais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral reunidos pelo Movimento Voto 70+ e divulgados pela Agência Brasil.
O resultado chama atenção porque o grupo cresceu. Eram 14,9 milhões de eleitores acima de 70 anos em 2022. Agora são 17,2 milhões. Se a conta incluir quem tem mais de 60, o eleitorado chega a 36,8 milhões de pessoas, peso suficiente para decidir uma eleição apertada.
Quanto cada faixa de idade votou
A página de resultados do TSE detalha o comparecimento dos idosos com voto facultativo:
| Faixa etária | Comparecimento no 1º turno |
|---|---|
| 70 a 74 anos | 68,77% |
| 75 a 79 anos | 52,23% |
| 80 a 84 anos | 37,12% |
| 85 a 89 anos | 24,30% |
| 90 a 94 anos | 13,46% |
| 95 a 99 anos | 4,34% |
Na média geral do eleitorado, a abstenção foi de 21,08%. Isso significa 33 milhões de pessoas aptas que não votaram no dia 4.
O que afasta o idoso da seção
O Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária, ouviu eleitores dessa faixa na pesquisa "Retratos do Voto 70+". Foram identificados três perfis de quem tende a faltar: o que acha que o próprio voto não faz diferença, o que acredita que o resultado não vai mudar sua vida e o que quer votar mas esbarra em fila, distância ou falta de alguém que o leve.
A pesquisadora Adriana de Queiroz, do centro de estudos Data8, disse à Agência Brasil que entender essas diferenças ajuda a explicar por que um eleitorado que cresce tão rápido ainda falta tanto às urnas.
Entre as mulheres, o problema é maior. Em 2022, 64% das eleitoras com mais de 70 anos não votaram, dez pontos acima dos homens da mesma idade, segundo o Data8.
Vale votar no dia 25?
Para o aposentado, há um motivo prático. O voto no segundo turno pode ser usado pelo INSS como prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, a regra vale também para quem não votou no primeiro turno.
Eleitores com mais de 80 anos têm prioridade na fila da seção. O movimento prepara para o dia 25 a campanha "Vovó Vota", com um guia digital para netas organizarem o transporte, os documentos e a companhia das avós até o local de votação.
No segundo turno, o eleitor vota para presidente e, em seis unidades da Federação, também para governador. Quem ainda não conferiu o endereço deve fazer isso antes: o TSE mudou o local de 4.352 seções. A eleição deste ano já tinha registrado outra marca, a de recorde de deputados reeleitos.